Da redação
O município de Uberlândia aprovou uma lei com regras exageradas para a produção artesanal de queijo de leite cru, como fazer análises microbiológicas do produto e do rebanho, o que não é possível para os produtores rurais. Por serem geralmente de baixa renda, eles têm dificuldades não só para enviar o material a ser analisado para os laboratórios, mas principalmente para pagar os exames.
Outra exigência, separar as salas de maturação e fabricação, envolve reformas na queijaria, que dependem de recursos financeiros. Ao contrário do que diz a secretária municipal de Agricultura de Uberlândia, Walkíria Naves, a adequação a regras sanitárias exageradas deixa o produto mais caro para competir com a grande maioria dos produtores, que não são cadastrados pelo IMA. Infelizmente, o município não anuncia nenhuma medida de benefícios como, por exemplo, empréstimos para fazer as reformas. Os produtores terão que pagar do seu bolso para se adequar à lei , ou continuar, como sempre estiveram, na clandestinidade. Veja detalhes na matéria da UOL abaixo.
Queijo artesanal de Uberlândia (MG) terá de ser produzido “dentro da lei”
Renata Tavares, Especial para o UOL Notícias
Em Uberlândia (MG)
Mais de 200 produtores de queijo e requeijão artesanais da zona rural de Uberlândia (556 km de Belo Horizonte) terão de se adequar às novas regras de produção para a elaboração e venda do produto. Uma lei municipal aprovada na última quarta-feira (8) obriga os produtores de queijo artesanal a adotar uma série de procedimentos, a começar pela separação de ambientes a cada processo da produção. O produtor terá de ter a área de fabricação, maturação e embalagem separadas. Além disso, terá de realizar análises microbiológicas e embalar cada produto individualmente. As exigências também estão relacionadas ao cuidado sanitário com o rebanho. As vacas, segundo a lei, terão de receber vacinas regularmente e passar por testes de diagnósticos de brucelose, tuberculose e controle de parasitas. “A intenção da regulamentação é fazer com que o nosso queijo se torne competitivo no mercado e seja mais consumido dentro de nossa própria cidade”, disse a secretária municipal de Agricultura de Uberlândia, Walkíria Naves.
DESTAQUES DA NOVA LEI
. Produtor deve se cadastrar na Secretaria de Agricultura de Uberlândia e atender a todas as exigências. O queijo deve ser transportado em caixas térmicas e em veículos com carroceria fechada. O produto terá de passar por análises microbiológicasLevantamento de 2006 mostrou que, naquele ano, Uberlândia produziu 16 mil quilos de queijo artesanal –apenas 30% do consumo da cidade no ano. O restante veio de cidades vizinhas, como Coromandel, Monte Alegre de Minas, Araxá e Patos de Minas. A maioria dessas cidades possui o selo de qualidade e tradição do Instituto Mineiro de Agropecuária (Ima). Uberlândia, segundo a coordenadora do programa Queijo Minas do Ima, Ana Cristina Paiva, ainda não possui nenhuma certificação. O primeiro passo nessa direção foi a lei que acaba de ser sancionada.PRODUTORES APROVAMA produtora de queijo artesanal de trança Nilza Helena de Souza produz 80 quilos do produto por dia e disse ter aprovado as exigências constadas na lei de regulamentação da produção. Segundo ela, será possível criar uma identidade e garantir a segurança do alimento. “Tem muita gente irresponsável no mercado, que não toma os devidos cuidados e acaba prejudicando quem faz um trabalho sério.Dessa forma, o produto vai ter mais garantia.” Produtor há 22 anos, Antônio Pimenta afirmou que produz dez peças por dia do queijo feito com o leite cru. Ele conta que toma os cuidados com relação à higiene, mas com a regulamentação e as normas, o tema ficará mais “claro”. “Hoje o que eu faço eu vendo somente para amigos e conhecidos. A regulamentação vai nos auxiliar e de certa forma nos ajudar a aumentar a produção para que possamos vender para o mercado.” Minas Gerais, Ana Cristina Paiva, é o único Estado do Brasil a autorizar a produção de queijo e requeijão com leite fresco cru, recém-retirado do rebanho. “É uma questão cultural, mas exige uma série de cuidados para garantir a segurança do consumidor”, disse.