Queijeiro de pai para filho da SerTãoBras no Vimeo.
A SerTãoBras entrevistou o queijeiro Fabrício, que trabalha com distribuição de queijo do Serro na região metropolitana de Belo Horizonte. Confira abaixo a transcrição do video:
Fabrício (distribuidor de queijos): O meu nome é Fabrício e eu trabalho com queijo em Belo Horizonte há… meu pai começou desde de 1955, portanto há 57 anos, de atividades ininterruptas no ramo em Belo Horizonte.
E nós coletamos queijos na região do Serro, na chamada região do Serro, com a coleta própria, com caminhões e as pessoas que adquirem os queijos pra gente lá e trazem para Belo Horizonte para revender. E da região da Canastra com pessoas que já trazem da região para Belo Horizonte. Já na região do Serro compramos muitas vezes direto dos fazendeiros.
O belo-horizontino gosta de queijo fresco. O queijo curado aqui tem pouca aceitação. O queijo aqui é o queijo fresco e com a característica que ele não é… o rendadinho também não é bem aceito aqui não! Eles gostam de um queijo um pouco mais… que derreta. Eu sempre falo isso aqui. O belo-horizontino gosta de queijo derretido no pão. O queijo aqui é comido assim: pega, coloca na frigideira, derrete, esquenta com pão e come. É assim que come queijo aqui. E pão de queijo, é claro. Belo Horizonte é a cidade que mais consome pão de queijo e queijo no mundo. Isso é inegável. Toda e qualquer padaria, supermercadinho de bairro tem lá o pão de queijo. Isso aí é tradição e isso aí não tem jeito de acabar não.
SerTãoBras: Qual é o maior volume de queijo que vocês chegaram a circular?
Fabrício: Nós já chegamos a uma média de 40 mil quilos por semana. Nós já chegamos aí em uns 40 mil quilos por semana.
SerTãoBras: E isso aí tudo do interior para Belo Horizonte?
Fabrício: Tudo da região do Serro para Belo Horizonte.
SerTãoBras: E onde é o ponto de comércio de queijo onde em dia em Belo Horizonte?
Fabrício: É a periferia, né? É a periferia. Tem vários distribuidores, que tem os chamados depósitos, né? Tem em Contagem, tem em São Gabriel, tem em Santa Luzia, tem no Ribeiro de Abreu, tem em Neves… O cara vai e prepara uma sala bem arrumada e lá ele data as embalagens que geralmente são… vamos chamar de genéricas, né?! E colocam lá, e colocam o queijo e distribui.
Então você tem que procurar nichos onde você coloca o produto, e o pessoal que consome sabe que o queijo é bom e paga por ele. Porque existe uma tendência “inegada” do mercado. O queijo Canastra vale mais do que o queijo Minas. Não era assim. Passou a ser assim de uns 15 anos pra cá. Porque o queijo do Serro misturou demais, piorou demais. E o Canastra entrou e tomou conta do mercado, entendeu? E o pessoal aqui de Belo Horizonte tem dado muito mais preferência para o queijo Canastra.
Agora, tem a questão financeira do queijo também, né? O cara sobrevive super apertado com o queijo. Nossa, é uma guerra de todos os dias. Não tem um dia que eu não recebo um telefonema de gente oferecendo o queijo: “Quanto você paga? Porque eu preciso do dinheiro hoje”.
Faço contrato de fornecimento de 6 meses, por 1 ano. Lá isso é muito comum, porque você garante o queijo, que eles chamam de ‘seca e verde’. Vamos fazer um contrato ‘seca e verde’. Vamos. “- Quanto você paga?” Aí você faz uma média de preço. Você faz um adiantamento e “prende” aquele fazendeiro ali. Porque a produção cai demais durante a entressafra. Quem produz o queijo é um sofredor! (risos)
Realização: Débora Pereira e Riba de Castro