Trajetória de amor pelo queijo de Minas artesanal

Nascido em Formiga – MG, Jordane Macedo é de uma família rural de Pimenta, na divisa das fazendas onde seu avô plantava tomate e café. Crescido entre a simplicidade do campo após a perda do pai, mudou-se para Belo Horizonte, onde vive há 33 anos, levando consigo as raízes mineiras que mais tarde se tornariam a essência do seu trabalho. Apesar de não seguir na roça, o destino o reconectou com suas origens de forma surpreendente: através do queijo. Jordane também é produtor cultural e diretor da Culturar, empresa que tem diversos projetos que valoriza a mineiridade e cozinheiro. 

Dos super queijos ao reconhecimento Internacional

Foi em um evento de gastronomia no interior de Minas que Jordane se encantou pelo universo dos queijos artesanais. Na 4ª edição do “Made in Minas Gerais”, na Savassi, que ele apresentou um queijo de peso impressionante — feito com 350 litros de leite. A experiência de cortar um queijo de 11 meses de cura, com cristais e sabor levemente picante, o deixou em transe. Desde então, dedicou-se a aprimorar técnicas de cura.  

Após uma provocação aos produtores Ivair e Lucia, do Queijo do Ivair, da Canastra, sem pretensões, Jordane, que queria saber como se comportaria a maior porção de um queijo da região, e o casal fizeram o maior queijo Canastra já produzido, batizado de Canastra Imperial. O gigante com 36 quilos foi partido no evento Made in Minas Gerais em 2024 em plena praça da Savassi, em Belo Horizonte (MG):

A partir deste momento diversos produtores de diferentes regiões convidavam para irmos fazer um queijão.  Foi aí que criamos uma comissão para melhor conduzir algo que representava muito a cada produtor. Composta por Jordane, Ivair, Lucia, Renata De Paoli, do ICQ – Instituto Curadoria do Queijo e Cassiano Peluso, da Jornada do Queijo nomeamos o projeto Super Queijos”, comenta Jordane.

Em junho de 2025, no Made in Minas aconteceu o primeiro concurso dos Super Queijos. 

Veja o vídeo com os Super queijos sendo partidos no evento Made in Minas Gerais em 2025 na Savassi, em Belo Horizonte – MG:

Sua paixão pelo queijo mineiro ultrapassou fronteiras. Jordane levou o sabor de Minas para Tóquio, Cingapura e Roma, onde conseguiu uma proeza memorável: entregar um queijo artesanal ao Papa Francisco, por meio de uma articulação com a embaixada brasileira. Quarenta dias depois, recebeu uma carta de agradecimento do Vaticano. 

A Rota do Queijo e projetos ousados

Jordane é um entusiasta da Rota do Queijo, iniciativa que busca valorizar o turismo e a economia local. Em dezembro de 2022, em sua passagem por São Roque de Minas, na Serra da Canastra, com o evento Made in Minas Gerais, criou a primeira Rota do Queijo do seu projeto.

A primeira fazenda da Canastra – pra quem segue de Belo Horizonte sentido a Serra – era do meu avô. Eu o ajudei a formar o pasto! Era o garoto que puxava o animal enquanto ele vinha arando ou semeando o capim. Tenho muito orgulho de ter trabalhado naquelas terras, hoje ainda continuo, porém em outra linguagem, com a ROTA.“, afirma.

A Rota do Queijo de Minas hoje é a maior plataforma que une diversas regiões queijeiras em um só “lugar’! Além da Canastra foram criadas Mantiqueira de Minas, Araxá, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Diamantina e uma no Mercado Central de Belo Horizonte – “O TEMPLO SAGRADO DO QUEIJO MINEIRO”! “Sempre me perguntam onde comprava “tal” queijo em BH, resolvi roteirizar as lojas que vendiam os queijos de produtores parceiros”, diz Jordane.

Ele trabalha para que a rota tenha visibilidade no Google Maps, indicando onde comer e comprar queijos artesanais, inclusive no Mercado Central de BH. Seu objetivo é levar pessoas para conhecer a Canastra e a Mantiqueira, regiões que já produziram, sob sua coordenação, queijos de até 36 kg.  

Responsabilidade social é um dos principais pilares deste projeto que além de conectar os turistas às queijarias, também promove rodadas de negócios com lojistas do mercado central de BH e ministra aulas no curso de gastronomia na Le Cordon Bleu, valorizando, assim, os pequenos produtores artesanais de queijos.

“Outra preocupação é sobre a sustentabilidade e sobre o impacto que causamos em nossos deslocamentos e estadia enquanto desenvolvemos nosso trabalho pelas Rotas, por isso conquistamos o selo Carbono Neutro que neutraliza toda emissão de CO2 do projeto”, afirma.

Sua criatividade não tem limites: em Diamantina, planeja criar um queijo em formato de diamante, e em Nova York, pretende distribuir queijo mineiro na Times Square. Até mesmo como mergulhador, ele une suas paixões, prometendo mergulhar com queijo debaixo d’água em uma futura aventura.  

Com o queijo pelo mundo: “O QUEIJO QUE O PAPA PAPOU”  

Promovendo o queijo pelo mundo, Jordane realizou algumas ações com a Rota do Queijo de Minas: em julho de 2023, deu a volta ao mundo e como bom mineiro, levou alguns queijos na mala. Passou pelos continentes norte-americano, asiático e europeu. Jordane partiu de Belo Horizonte (MG), rumo ao primeiro destino: os Estados Unidos, com 3 queijos na bagagem, sendo um deles com o propósito de voltar ao país, e assim termos um queijo mineiro que deu uma volta ao mundo. O queijo escolhido foi do Ivair, produtor da Canastra. 

O tour passou pela NASA e Key West, depois cruzou o pacífico até o Japão onde realizou visitas a diversos templos. A viagem de retorno, em agosto, contou com uma parada na embaixada brasileira no Vaticano para reunião com o embaixador Everton Vieira, junto a Santa Sé, momento que foi registrado o ato de entrega de um queijo e uma carta, para que fosse encaminhado ao protocolo do Vaticano via embaixada, e assim ser entregue ao Papa Francisco.

Quarenta dias depois, em Belo Horizonte, Jordane recebeu uma carta do Santo Padre em agradecimento, abençoando sua família e todo povo de Minas Gerais.

Chorei por 2 horas seguidas de emoção, não esperava por isso”.

Jordane promete que em breve terá outras ações para a promoção dos queijos: aguardem!!!

Compromisso Social e Futuro  

Além de difundir a cultura do queijo artesanal, Jordane busca parcerias com bancos para viabilizar microcréditos e projetos de responsabilidade social, fortalecendo pequenos produtores. Sua trajetória é marcada por ousadia, tradição e um profundo respeito pelas raízes mineiras — sempre com um toque de irreverência.  

Jordane Macedo não apenas preserva a história do queijo de Minas, mas a reinventa, levando-a ao mundo e transformando cada degustação em uma experiência memorável.

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