Eu sempre quis fazer queijo”, confessa Marina Cavechia (Melhor Queijista do Brasil 2022). Depois de abrir o Teta Cheese Bar em Brasília, em 2018, ela começou a fermentar a ideia de fazer queijo. «Tive a ideia de começar em fazendas parceiras, que já tinham estrutura e os animais. Era tipo uma produtora cigana. Até que aos poucos fui incluindo minha tia e meus pais nesse sonho”.

A família materna de Marina tem uma chácara em Estrela do Sul, no triângulo mineiro. Antes mesmo do leite e queijo entrarem de vez na corrente sanguínea dessa turma, Iara iniciou um projeto de recuperação do solo. “A gente descumpria vários pontos do código florestal e a água estava diminuindo. Contratamos um consultor, fizemos o georeferenciamento do solo e foi traçada uma estratégia de recuperação da área. O caminho foi a agrofloresta. A família inteira foi mobilizada em um mutirão de plantio e, depois, em vários de poda. Em 2021 veio a ideia de consorciar o sistema agroflorestal com o manejo de vacas leiteiras».

Depois de fazer um plano de negócios, contrataram Vanessa Alcolea para tornar o projeto legalmente viável. «A gente não queria começar sem registro, a decisão foi pelo SIF». Hoje, o rebanho conta com 15 vacas, 11 em lactação, produzindo 100 litros/dia, com meta de chegar a 500 litros. “É o máximo que podemos ter para não exigir demais da terra”. Construída entre 2022 e 2023, a queijaria tem sala de fabricação, câmaras de cura, salga e expedição, com espaço para expansão.

“Matuh” vem do mato, da floresta, daquilo que é mãe — mãe da terra, mãe da matéria, mãe da criação.
Em sânscrito, significa “materno”. Em tupi, é o murmúrio verde que brota das folhas e respira nas serras.
É o encontro com raizes, com o autêntico, com a matéria. Na língua dos que fazem queijo, Matuh é o nome do tempo que amadurece e transforma.

A Matuh Queijaria nasceu do encontro entre a natureza e a intenção — um espaço onde maturar e matutar se confundem, onde a floresta encontra o leite, e o pensamento vira forma, textura, sabor.

A Mathu produz três queijos, batizados em homenagem aos apelidos das mulheres da queijaria, todos com fermentos do comércio. E dois deles são os pilares dessa travessia artesanal:

NINA (apelido de Marina) — um queijo de leite cru, massa prensada semi-cozida, maturado por seis meses, com lavagens semanais na casca, num ritual paciente que revela aromas de campo úmido e corpo aveludado.
Cada peça pesa em torno de 4 quilos — quatro quilos de território e intenção.

NETE (Inez, mãe de Marina) — também de leite cru, massa prensada não cozida, maturado por três meses, com uma casca bem mofada, viva, respirante, como se guardasse na superfície o segredo do mato de onde veio.

Foi o NETE que atravessou oceanos e encantou jurados no Mondial du Fromage de Tours 2025, na França — um dos maiores concursos de queijos do mundo, com 1.960 queijos de 26 países,
avaliados por 350 juízes. Ali, no coração da França, o NETE brilhou com uma medalha de prata,
marcando o início luminoso na nova empreitada de Marina Cavechia como queijeira na Matuh Queijaria.

E Lala (Iara, a tia): massa mole, casca de mofo branco e cinza, com 30 dias de cura.

O queijo, para Marina Cavechia, não é produto: é processo, é pensamento que fermenta,
é matéria que respira, é silêncio que cura e na Matuh, cada forma é uma meditação sobre o tempo, sobre o que nasce da terra e retorna a ela transformado.

Matuh fala de terroir, de mato, de terra, de origem. É sobre maturar, matutar, criar, recriar, aperfeiçoar, evoluir.”

Proprietária: Marina Cavechia

Localização: Estrela do Sul – MG

Email: matuhqueijaria@gmail.com

Telefone: (61) 9 9118-1767

Instagram: @matuh_queijaria

Adoraríamos saber o que achou!

Seu comentário é recomendado para ser pelo menos de 140 caracteres

image

Funcionamento
  • segunda09:00 - 17:00
  • terça09:00 - 17:00
  • quarta09:00 - 17:00
  • quinta09:00 - 17:00
  • sexta09:00 - 17:00
image