Nascida em Goiás e neta de mineiros, Ariana Silva Braga, 38 anos, carrega no sangue a memória do queijo como herança. “Os meus avós viveram da atividade leiteira por muitos anos, fazendo e vendendo queijo e manteiga. A tradição veio de Minas com a família para Goiás e nós a trouxemos de lá para o Tocantins. O queijo que fazemos hoje foi aprendido ao longo do tempo – JÁ estamos na terceira geração desta receita base”, conta.

Do leite de seu rebanho de 37 vacas Jersey puras — sendo 15 em lactação — Ariana produz queijos frescos, curados, naturais e temperados com ingredientes do Cerrado, uma média de 200 litros por dia.
“Isso dá personalidade à nossa queijaria. Todos os queijos são curados aqui mesmo, em tábuas de madeira. Nossas vacas são criadas 100% a pasto, o que garante autenticidade ao leite e ao nosso terroir. Trabalhamos com leite cru, vivo, livre de fermentações indesejadas que poderiam ser causadas pela silagem. Nosso queijo tem tradição mineira e alma tocantinense.”
Na Fazenda Buritizal, o queijo nasce de um sistema que respeita a terra.
“Nossa fazenda é um sistema de regeneração do Cerrado, com práticas sustentáveis como a usina fotovoltaica, o biodigestor para tratamento dos dejetos bovinos e o uso de adubação verde e orgânica”, explica Ariana.
Entre as receitas da casa estão dois queijos que traduzem o Cerrado em forma e sabor:
Amarelinho da Serra — queijo macio, maturado por 24 dias e untado com azeite de babaçu e buriti.
Cerrado — queijo maturado por 40 dias e temperado com pimenta-de-macaco, arbusto endêmico do bioma, cuja baga é usada na culinária ribeirinha, quilombola e sertaneja em substituição à pimenta-do-reino.
Ariana cura seus queijos em uma pequena câmara improvisada, de 1,2 × 1,5 metros, azulejada, com ar-condicionado e umidificadores domésticos.
É tudo feito com muita teimosia”, confessa, com orgulho.
Sem equipamentos sofisticados, confia na sensibilidade e no olhar de quem aprendeu observando, corrigindo, sentindo — o verdadeiro método artesanal.
No empório da fazenda, além dos queijos, Ariana também oferece doces e pimentas, todos feitos com ingredientes locais, como se o Cerrado inteiro coubesse em cada pote e em cada pedaço.




Entre pastagens regeneradas, sol do norte e teimosia criadora, Ariana Braga molda queijos que são mais do que alimento — são poemas do Cerrado, escritos em leite, madeira e paciência.