Geólogo de profissão, Marcos Lana conta que trabalhou 37 anos no Brasil e exterior. E, em 2015, aposentou e decidiu retornar à fazenda que havia comprado de uma tia, na divisa de Medeiros com São Roque de Minas, região onde nasceu sua família materna. “O avô do meu avô já fazia queijos aqui. Mas, meus pais foram para o Rio quando eu ainda era criança.” O retorno às origens era um projeto antigo e desejado por Marcos. Após 10 anos morando na fazenda ele segue feliz e bem ocupado.
Com assistência técnica, capacitação e troca de experiência com outros produtores, a fazenda foi sendo estruturada para produção de leite, com boas práticas e técnicas modernas. Hoje, a fazenda produz 2500 litros por dia e apenas 250 litros em média usados para produção de queijos. O restante é vendido para um laticínio.
A produção de queijos também evoluiu, com apoio da Aprocan e a construção e registro de uma nova queijaria, que está em funcionamento desde 2019. Os queijos seguem o regulamento técnico da região da Canastra – feitos com leite cru recém ordenhado, pingo, coalho e sal. Têm registro estadual e selo Arte para comercialização em todo o Brasil. Os diferentes tamanhos, tempo de maturação, tratamento da casca e também mudanças sazonais resultam em queijos com texturas e sabores bem distintos mas típicos do terroir local.
Sendo que o preferido dos clientes e mais vendido é o meia-cura tradicional: um queijo com apenas 14 a 25 dias maturado em temperatura ambiente, massa fechada, macia a semi dura, sabor lácteo predominante, acidez muito baixa, sal médio a baixo, ligeiramente adocicado. “É um queijo versátil, fácil de consumir puro, derretido ou ralado, acompanhando um café, mel, doces, saladas ou massas. Acompanha bem vinhos espumantes ou brancos.”, afirma Marcos.
Fazemos queijo não apenas para ganhar dinheiro, mas para cativar quem consome. Não precisa ser o melhor do mundo, até porque cada queijo tem sua personalidade e cada pessoa suas preferências, mas precisa ser um queijo muito bom.”
A queijaria conta com uma pequena variação dele, também muito apreciado, com ligeiro aquecimento após corte da massa, substituindo 25% do soro por água quente. “O sabor fica mais suave e a massa flexível e adocicada, as vezes com desenvolvimento de olhaduras propiônicas, naturais do leite cru utilizado.”, comenta.
O terroir onde é produzido os queijos fica a 820 m de altitude, na margem do rio Samburá, que divide os municípios de Medeiros e São Roque de Minas – bem no centro da região do queijo da Canastra. Uma região de clima ameno, com estação seca e chuvosa bem definidas, com muitos córregos e rios, matas e fauna preservadas.
O gado criado ali na região é composto por vacas da raça girolando, com predominância de sangue holandês, numa seleção genética há 8 anos. A fazenda conta com um rebanho fechado, certificada como livre de tuberculose e brucelose. Sendo 100 vacas (80 em lactação) e 95 novilhas.
Ao mudar sua rotina para ir morar na fazenda, Marcos entende que buscavam ter uma vida feliz e com um propósito: produzir e comercializar leite, queijo ou outros produtos de qualidade, de forma sustentável e com colaboradores conscientes e alinhados com esse objetivo. E hoje, ele conta com a participação de seus filhos e netos na fazenda, que sempre o acompanham, desde os tempos em que não havia quase nada. Transformando a fazenda onde mora, junto de sua esposa, em um ponto de encontro da família. “Todos têm atividades independentes, mas mantemos uma forte conexão e vários, junto com irmã, primos e sobrinhos revendem os queijos nas suas cidades.”, finaliza.
Produtor: Marcos da Cunha Lana
Contato: 21 9 8734-3484
Endereço: VMVH+8H, Faz. Ponte Velha, Medeiros – MG, 38930-000
Instagram: https://www.instagram.com/queijopontevelhano/